Rota de turismo em Belo Horizonte

“Era uma vez”… Normalmente, esta expressão dá início a contos de fadas e a tantas outras formas de contar uma história. Afinal, o que seria a atividade turística se não uma forma de contar histórias e estórias? Lugares, monumentos, pessoas, crenças e manifestações são o pano de fundo de uma viagem.

Nos últimos anos, acompanhamos um movimento de redescoberta das cidades, uso de seus espaços públicos e de suas estruturas. As cidades se tornam cada vez mais lugares de encontro. E como se encontrar em um local ainda desconhecido? Como começar a descobrir um novo território? Uma das possibilidades que vem se tornando cada vez mais comum são os
roteiros a pé (“walking tours”). Facilmente encontrados nas principais cidades europeias, são uma opção para quem quer ter uma ideia geral do local visitado, ter um apanhado de informações, dados, dicas e curiosidades para desfrutar ao longo do período de visita, quase um “boas-vindas”. Essa prática vem se expandindo e apresentando algumas versões temáticas, dentre elas, a gastronomia.

Recentemente, participei de um roteiro a pé com o tema: a “Travessia Gastronômica”, criado pelo Instituto Amado na capital mineira. A ideia começou como uma proposta para se descobrir a gastronomia da capital pelos próprios belo horizontinos, mas não deixa nada a desejar a um turista que esteja por aqui e aproveite para fazer o passeio.


Acompanhados por dois jovens empreendedores de BH, Nenel Neto, do blog “Baixa Gastronomia” e Mário Santiago da A Pão de Queijaria, o grupo perpassa locais característicos da cidade e conhece detalhes da gastronomia da jovem capital. Salgados e doces, “baixa” e “alta gastronomia”, suco, refrigerante, cachaça, café e cerveja, da Savassi ao centro. Aromas, sensações, informações, curiosidades, bate-papo descontraído dão o tom da caminhada de quase 9 km que passam sem que se perceba. BH nos é apresentada sob um novo aspecto. Até o próprio Mercado Central, ocupante do imaginário de praticamente todos os belo horizontinos, ganha tons de novidade e descoberta.

Falar que a gastronomia faz parte da história e das estórias de um lugar é redundante, mas ter a oportunidade de conhecer ainda mais de perto os pequenos grandes detalhes da cidade em que nasci, e que ainda tenho muito por descobrir, foi mais enriquecedor do que imaginei.

Não vou detalhar aqui todos os lugares e sabores porque um dos seus diferenciais é a surpresa, então, sugiro que conheçam, aproveitem, e se deem a oportunidade de sair do lugar comum, seja como morador de BH, seja como um turista. Caminhe, olhe os prédios, repare nos detalhes de ruas, avenidas e fachada. Com certeza você estará em boa companhia e,
como pude constatar, com os sentidos aguçados e o estômago feliz!

Marina Simião
Turismóloga, mestre em economia criativa, gestão cultural e desenvolvimento, atua em projetos de gastronomia, economia criativa, turismo e cultura. Criadora da Metodologia Patchwork. Membro da Frente da Gastronomia Mineira e do Institute of Gastronomy, Culture, Art and Tourism
.
Atualmente, compõe o corpo técnico da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais. Sua melhor parte é ser “Dinda” do Fernando, Nayara, Pedro, João, Elis, Tomás e Maria Eduarda, mora em BH, tem alma viajante e o coração espalhado pelo mundo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Likes:
2 0
Views:
284
Article Categories:
Coluna