Raízes e tradição do churrasco gaúcho são preservadas em terras mineiras

Conheça um gaúcho que se mudou para Minas e trouxe o Rio Grande através de sua paixão pelas tradições de sua terra natal.

Conheça um gaúcho que se mudou para Minas e trouxe o Rio Grande através de sua paixão pelas tradições de sua terra natal.

Por Isabel de Andrade*

No dia de fazer churrasco, Elton Menchick se prepara e sai de casa todo pilchado. Ah, você não entendeu. A gente explica. Pilcha é a vestimenta tradicional da cultura do Rio Grande do Sul. Ele faz questão de usar a bota, a bombacha, camisa, lenço, chapéu e a guaiaca, que é o cinto. Se a roupa está impecável, hora de se dedicar a um grande prazer: preparar um autêntico churrasco gaúcho.

Como a missão é ser fiel à tradição, Elton procura sempre preparar a carne no fogo de chão. Esse tipo de técnica permite que sejam assados cortes maiores como, por exemplo, a costela e o leitão. E o tempo de exposição ao calor também é mais prolongado. Ele explica que a carne ganha um leve sabor defumado, principalmente se for usada uma lenha sequinha, de boa qualidade.

Outra característica marcante no sul do país é a utilização do espeto feito de madeira. Elton conta que por lá, são usados galhos de árvore espetados diretamente no chão em brasas. Mas, essa tradição acaba tendo que ser adaptada por aqui e é necessário usar o equipamento feito de ferro, que pode ser reutilizado.

O tempero é outro segredo dos gaúchos. É claro que há exceções, mas, quase sempre, só o sal grosso é utilizado. Assim, é possível realçar o sabor da carne e valorizar cada corte.

Esse jeito autêntico de fazer o churrasco gaúcho está cada vez mais presente nos festivais de churrasco em Minas Gerais. Os eventos, organizados para um grande número de pessoas, oferecem variados tipos de cortes e atraem um público enorme.

A participação nesses festivais toma os fins de semana do Elton. Ele foi convidado para o primeiro evento no início deste ano e não parou mais. Em um dos trabalhos, teve o desafio de assar um boi inteiro. Em outro, preparou peixes da região amazônica, tipo de carne com a qual teve contato quando morou no Pará. “Foi um pirarucu de 90 quilos e dois metros de comprimento e cerca de 30 tambaquis partidos ao meio”, lembra. Ele diz que após essa experiência, está preparado para trabalhar com qualquer tipo de cardápio. “Depois do boi inteiro e dos peixes, nada mais me assusta”, brinca.

Fazer churrasco é mais do que uma experiência gastronômica para esse gaúcho que é técnico em eletrônica e se mudou a capital mineira em função do trabalho em 2010. É uma forma de voltar às raízes e manter viva uma tradição. Em casa, reunir a família em volta da brasa sempre foi um hábito. “A paixão pelo churrasco começou quando eu cresci e comecei a alcançar os espetos lá em casa”, lembra.

Elton se recorda com carinho dos almoços de domingo quando eram servidos frango marinado com sálvia e cebola, churrasco de costela e salada de maionese, um prato muito presente na mesa dos gaúchos. Mesmo depois de crescido e longe da terra natal, ele não abre mão de cultivar esse hábito. Seja nos grandes festivais de churrasco ou em casa junto com os amigos, tem sempre um churrasco e muito fogo na brasa. “É coisa que vem desde pequeno, passa de pai para filho. Uma tradição que começou com o meu avô”. E, se depender dele, esse hábito será preservado por muitas gerações.

Serviço

Instagram: @bbqgaucho

Fotos: reprodução Instagram

*Isabel Andrade é Jornalista e Colaboradora do Territórios Gastronômicos

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Chefs e Mestres