Siga o Aroma -A sabedoria dos indianos concentrada em produtos mineiros

Conheça o trabalho da mineira Águeda Couto com especiarias e temperos funcionais que curam e trazem diversos benefícios à nossa saúde

Conheça o trabalho da mineira Águeda Couto com especiarias e temperos funcionais que curam e trazem diversos benefícios à nossa saúde

Por Isabel de Andrade*

Conhecendo as especiarias

Não é segredo para ninguém que os portugueses chegaram ao Brasil por engano. Há mais de 500 anos, quando começaram a navegar para explorar o mundo, na verdade, pretendiam desembarcar nas Índias. O que buscavam eram as especiarias, que eram muito utilizadas na culinária e medicina europeia.

A canela, por exemplo, era bastante útil para dar sabor a pães, compotas de frutas e doces, e no preparo de cervejas e vinhos. O açafrão temperava e coloria os alimentos. O anis era uma erva usada na fabricação de xaropes e licores. A noz moscada era matéria-prima para a fabricação de um anti-inflamatório natural e para temperar pratos salgados e doces. O cravo-da-índia entrava na composição de vários pratos, assim como a pimenta-do-reino, que tem propriedades digestivas e estimula a circulação sanguínea.

Cultura Ayurveda, Chai e Massala

A escolha dos alimentos na Índia é cuidadosa e criteriosa. Remonta a uma sabedoria milenar que faz parte da medicina ayurveda, que significa ciência da vida. O foco não é apenas no bem estar físico, mas na harmonia entre corpo, mente e alma.

Foi exatamente esse conhecimento tão rico que encantou e estimulou a mineira Águeda Couto a trazer para o Brasil um pedacinho do que conheceu na Índia. Ela criou a Siga o Aroma e fabrica uma linha de Chai Massala, composta por chás e temperos indianos funcionais macerados no pilão.

Ela fabrica dois tipos de chais. O Stronger é o tradicional. E o Golden Milk é feito com cúrcuma e apresenta uma explosão de sabores. Segundo Águeda, tem propriedades que ajudam no processo anti-inflamatório, antioxidante, reforça a imunidade, é diurético e termogênico, ou seja, estimula o metabolismo e fornece energia.

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Águeda explica que o chai é diferente do chá porque é feito de especiarias como, por exemplo, cúrcuma, cravo, canela, cardamomo, gengibre, noz moscada, pimenta do reino. No preparo, é utilizado o leite de origem animal ou vegetal. Segundo ela, a gordura facilita a absorção dos nutrientes e estimula as propriedades de cura. “Na Índia, fui me apaixonando pelos cheiros, sabores, cores e essa consciência que os indianos têm sobre a alimentação. Eles sabem o que cada alimento, cada tempero produz no corpo. Tanto que na Índia é baixa a incidência dessas doenças contemporâneas do ocidente como Alzheimer”, diz.

A linha de massalas é composta por quatro tipos de temperos. O clássico é o Garam Massala, uma mistura de especiarias, segundo Águeda, encontrada em qualquer empório do mundo que trabalha com produtos internacionais. A outra linha é a Massala Tri Dosha. De acordo com a medicina ayurveda, o dosha é o perfil de cada um de nós baseado em determinadas características que apresentamos. Ele se divide em três: Pitta (fogo), Vatta (ar) e Kapha (terra). As massalas, acreditam os indianos, vão proporcionar o equilíbrio de que cada um precisa. “O vatta é aquela pessoa que pensa demais, faz mil coisas ao mesmo tempo, tem dificuldade de se concentrar. A massala correta vai trabalhar essas questões: dificuldade de concentração, insônia, pensamento acelerado”, exemplifica.

O jeito de trabalhar os ingredientes também é diferenciado. Águeda usa um pilão. Ao macerar cada especiaria, potencializa os temperos e mantém a nota criando um buquê. “Primeiro, vem um sabor. Depois, vem o outro. Em seguida, mais um.”

A linha de Chai Massala Siga o Aroma pode ser encontrada em cerca de 30 pontos de venda na capital mineira. São empórios, restaurantes vegetarianos, veganos e estabelecimentos que estão em sintonia com o propósito do negócio. Águeda também participa de três a quatro feiras por mês. As redes sociais são espaço não só para a divulgação dos produtos, mas para a disseminação de informações sobre a cultura ayurveda.

A mineira, que durante um ano sabático encontrou um guru indiano e se mudou para a Índia, teve a oportunidade de entrar em contato com ensinamentos preciosos e faz questão de compartilhar essa sabedoria. Águeda está satisfeita com o retorno dos clientes, que dizem somar benefícios. E, brevemente, ela pretende voltar à Índia, onde toda essa história de transformação começou, para se reciclar, buscar novos conhecimentos e dividi-los com os brasileiros.

Serviço

Instagram: @sigaoaroma

Fotos: Isabel de Andrade e reprodução Instagram

*Isabel de Andrade é Jornalista e Colaboradora do Territórios Gastronômicos

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.