Festa na capital mineira celebra o queijo

A Festa do Queijo de BH coloca em evidência um produto que faz parte da essência da cultura mineira. Produtores de todo o estado e chefs de cozinha vão se reunir para celebrar o aniversário de 122 anos da capital mineira com uma comemoração regada a muito queijo.

A Festa do Queijo de BH coloca em evidência um produto que faz parte da essência da cultura mineira. Produtores de todo o estado e chefs de cozinha vão se reunir para celebrar o aniversário de 122 anos da capital mineira com uma comemoração regada a muito queijo.

Por Isabel de Andrade*

Seria exagero dizer que 10 em cada 10 mineiros apreciam o queijo? Creio que não. A tradição da iguaria se confunde com a formação do próprio estado. Relatos históricos dão conta de que o queijo chegou ao Brasil no século 18, mais precisamente na região do Serro, em Minas Gerais. Os portugueses queriam reproduzir o alimento como era feito em Portugal. Mas, substituíram o leite de cabra pelo de vaca. Assim, o queijo começou a ser produzido por aqui e, hoje, é reconhecido como um patrimônio gastronômico e cultural de Minas.

Para celebrar esse protagonista da cultura mineira, nada melhor que uma comemoração dedicada a ele. Neste domingo, será realizada a primeira Festa do Queijo de BH. A partir das 10h, a avenida Getúlio Vargas entre a avenida do Contorno e a rua Alagoas, na Savassi, será tomada por barraquinhas com produtores de queijo de todo o estado. A festa também contará com a presença de chefs de cozinha que vão preparar refeições à base de queijo, oficinas sobre queijos e cafés, cerveja artesanal, shows e espaço Kids para a meninada.

As microrregiões produtoras de queijo estarão representadas por produtores individuais e associações. Entre elas: Associação dos Produtores Artesanais do Queijo do Serro, Associação de Produtores de Queijo do Cerrado, Associação dos Produtores de Queijo Artesanal de Alagoa, Associação dos Produtores de Queijo Canastra, Associação Regional dos Produtores de Queijo Minas Artesanal de Araxá e Associação dos Queijeiros Artesanais das Vertentes da Mantiqueira.

Mapa do Queijo

Para celebrar esse momento, foi elaborado o Mapa do Queijo, que mostra a diversidade de queijos especiais produzidos em Minas. Ele é resultado do trabalho do jornalista gastronômico Eduardo Tristão Girão, que é um grande pesquisador do assunto.

O jornalista Eduardo Tristão Girão foi um dos responsáveis pelo Mapa do Queijo ( Foto: reprodução Instagram)

Confira algumas informações que constam no Mapa do Queijo

Cerrado

A maior das sete microrregiões produtoras de Queijo Minas Artesanal, o Cerrado, é composto por 18 municípios. Uma das características principais dos exemplares de lá é o tamanho, pois são queijos geralmente mais altos e com diâmetro maior que o da média nas demais áreas produtoras desse tipo de queijo.

Serra do Salitre

O uso de resinas pinceladas manualmente na casca contribui para distinguir o Queijo Minas Artesanal produzido na Serra do Salitre. Elas formam película que diminui a perda de umidade durante a maturação, contribuindo para manter a massa mais macia e a formar aromas e sabores mais complexos.

Alagoa e Mantiqueira de Minas

As regiões vizinhas de Alagoa e Mantiqueira de Minas produzem queijo de massa semicozida, que é herança de imigrantes italianos que se instalaram no lado mineiro da Serra da Mantiqueira há cerca de um século. Pode ter 1kg ou 5kg e chegar a um ano de maturação. Os exemplares mais apreciados têm sabor adocicado e picante.

Serra da Canastra

A Serra da Canastra é a mais popular das microrregiões produtoras de Queijo Minas Artesanal. Os queijos de lá costumam ser ligeiramente mais baixos e ter menor acidez, tornando-se mais picantes à medida que a maturação avança. Há também produtores que inovam com a casca mofada.

Araxá

Araxá é um dos mais tradicionais pólos de Queijo Minas Artesanal, localizada bem no meio de outras microrregiões produtoras dessa mesma receita de queijo. Muitas queijarias de lá são premiadas dentro e fora do Brasil, incluindo a medalha Super Ouro no Mondial du Fromage, na França.

Campo das Vertentes

A vaca Jersey, cujo teor de gordura no leite é maior do que a de outras raças bovinas tem presença constante em várias fazendas produtoras de Queijo Minas Artesanal na microrregião do Campo das Vertentes. Esse é o motivo pelo qual muitos queijos de lá apresentam consistência untuosa.

Triângulo

O Triângulo foi a última das sete microrregiões produtoras de Queijo Minas Artesanal a ser reconhecida pelo estado, em 2014. Somando a isso a grande distância de BH e a proximidade com mercados do interior paulista, ainda são poucos produtores que conseguem colocar seus queijos na capital mineira.

Atrativos da Festa do Queijo

O chef Gabriel Trillo, do Restaurante Omilia, vai preparar uma coxinha de rabada com requeijão moreno do Serro e uma Paella Canastra, que é uma versão bem mineira desse clássico espanhol que recebe queijo canastra gratinado na hora.

A Fiorella Gelato vai servir receitas especiais para a ocasião: gelato de queijo artesanal com calda de goiabada e Cheesecake de frutas vermelhas.

Na oficina da Academia do Café a partir de 10h30, os participantes vão aprender sobre harmonização de cafés com queijos. A chef pâtisserie Mariana Correa vai mostrar o uso do queijo na confeitaria a partir de 11h30. E a sommelier Fabiana Arreguy vai ensinar sobre harmonização de queijos e cervejas artesanais às 13h30. As oficinas são gratuitas. As inscrições são limitadas e devem ser feitas 30 minutos antes do início. Cada pessoa poderá participar apenas de uma oficina.

Será um dia inteiro para apreciar um sabor que faz parte da cultura do mineiro e celebrar um produto que se confunde com a própria história do estado.

Serviço

Festa do Queijo de BH

Domingo, dia 08 de dezembro, a partir de 10h

Avenida Getúlio Vargas, entre avenidas do Contorno e rua Alagoas, Savassi, Belo Horizonte

Instagram: @festadoqueijobh

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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