Restaurantes de SP criam receitas com ingredientes produzidos por indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas

Festival pelos Povos da Floresta valoriza a cadeia produtiva formada por indígenas, comunidades ribeirinhas e quilombolas. Chefs prepararam cardápios com ingredientes provenientes de uma economia sustentável que prioriza a biodiversidade do Brasil.

Festival pelos Povos da Floresta valoriza a cadeia produtiva formada por indígenas, comunidades ribeirinhas e quilombolas. Chefs prepararam cardápios com ingredientes provenientes de uma economia sustentável que prioriza a biodiversidade do Brasil.

Por Isabel de Andrade*

Oito restaurantes de São Paulo participam do Festival pelos Povos da Floresta, que vai até o dia 15 de dezembro na capital paulista. Os chefs tiveram a missão de preparar cardápios com ingredientes que fazem parte da cadeia produtiva dos indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Entre eles, o mel produzido pelos indígenas no Território Indígena do Xingu, no Mato Grosso, e o Cogumelo Yanomami, cultivado na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

PF Mercadão, preparado pelo Restaurante Rainha ( Foto: Leo Martins)

O festival é realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA) e a rede Origens Brasil, com apoio da União Europeia. A iniciativa tem a proposta de valorizar e ajudar a estruturar as cadeias produtivas das comunidades do Vale do Ribeira (SP), Xingu (MT e PA) e Rio Negro (AM e RR). “O Festival pelos Povos da Floresta nasce para fortalecer e agregar valor aos produtos de indígenas, ribeirinhos e quilombolas”, explica Beto Ricardo, antropólogo e fundador do ISA.

As áreas de mata no país sofrem uma grande ameaça dos incêndios, extração ilegal de madeira, grilagem de terras e garimpo ilegal do ouro. E os povos indígenas, comunidades extrativas e quilombolas dão um belo exemplo quando o assunto é extrair os alimentos fornecidos pela natureza sem prejudicar o meio ambiente.

Otimisoma Sanöma, liderança da região de Awaris, comunidade de Kolulu, uma das pioneiras do projeto de coleta e venda dos Cogumelos Yanomami ( Foto: Moreno Saraiva Martins/ISA)

Os povos da floresta enfrentam o desafio de construir uma relação positiva com o mercado para escoar, por exemplo, a produção de castanhas, farinhas, especiarias, óleos, mel. Eles fazem parte de um novo tipo de economia que valoriza e respeita a biodiversidade do Brasil.

Dona Ilda Fontes da Silva (esq.), Nazária Mandú Lopes e Nazária Trindade Monte Negro carregam pimentas frescas colhidas na roça de pimenta próxima à comunidade Canadá, no rio Ayari, Terra Indígena Alto Rio Negro, no Amazonas ( Foto: Carol Quintanilha/ISA)

Os restaurantes se tornaram importantes parceiros do ISA na missão de propagar a cultura de sustentabilidade ao desenvolver receitas com ingredientes típicos. É uma forma também de trazer visibilidade para a atividade e ajudar a assegurar os direitos das populações envolvidas, a manutenção e valorização de seus conhecimentos com geração de renda e promoção da qualidade de vida.

Confira os cardápios preparados pelos restaurantes

Balaio IMS

Pipoca com manteiga de garrafa, pimenta Baniwa e torresminho (R$ 14)

Ravióli de cogumelo Yanomami, sálvia, semente de pequi, pimenta Baniwa e queijo Tulha (R$ 59).

Frutas amarelas, creme de pequi, sorbet de butiá, compota de maracujá (R$ 23).

Baniwa gin Amazzoni negro, pimenta biquinho, pimenta Baniwa, vermute branco, vinho branco Mazanilla, bitter de aipo, pepino, lúpulo e cascas cítricas (R$ 32).

Avenida Paulista, 2424 – Bela Vista

Telefone: (11) 2842-9123

Balaio Café

Foto: Leo Martins

Bolinho de babaçu com cumaru (R$ 3) com farinha de coco babaçu produzido por indígenas, ribeirinhos e agricultores familiares da Terra do Meio, no Pará.

Avenida Paulista, 2424, 5 º andar – Bela Vista

Banzeiro
Mujeca de peixe moqueado (R$ 36) caldo quente de peixe defumado com cogumelos coletados por índios Yanomami e pimenta Baniwa.

Pirarucu no forno a lenha, purê de banana da terra e castanha da Terra do Meio, no Pará (R$ 67).

Suspiro de pequi do Povo Kisêdjê do Xingu com sorvete de tapioca (R$ 22).

Rua Tabapuã, 830 – Itaim Bibi

Telefone: (11) 2501-4777

Dalva e Dito

Foto: Ricardo D’Angelo

Arroz cremoso com cogumelo Yanomami e agrião (R$ 75).

Rua Padre João Manuel, 1.115 – Jardins

Telefone: (11) 3068-4444

Deli Garage

Panetone da Floresta (R$ 68): A partir da receita original de massa de brioche com chocolate meio amargo, esta versão incorpora produtos singulares nativos como o cumaru coletado pelas Comunidades Extrativistas do PDS Paraíso, em Alenquer, no Pará, a castanha-do-Pará da Terra do Meio, em Altamira, e o mel de florada silvestre do Território Indígena do Xingu, no Mato Grosso. Por cima, vai uma casquinha crocante de Farinha Mawkîn, uma paçoca torradinha de castanha-do-Pará com beiju feita na Terra Indígena Wai Wai, em Roraima.

Rua Medeiros de Albuquerque, 431 – Vila Madalena

Telefone: (11) 3578-7768

Jojo Lab

Foto: Rubens Kato

Tantanmen Shirunashi (R$ 40), temperado à base de shoyu, pasta de gergelim e um toque picante de pimenta Baniwa, com carne moída picante e chashu em cubo.

Tantanmen Ramen (R$ 42), servido com caldo de frango e porco, temperado à base de shoyu, pasta de gergelim e pimenta Baniwa, carne moída picante e chashu em cubo.

Guioza (R$ 19 a porção com 5 unidades) de massa finíssima e recheio suculento de carne suína e vegetais, com molho de pimenta Baniwa.

Rua Gandavo, 193, Vila Mariana

Telefone: (11) 5083-9837

Marilia Zylbersztajn

Torta de mel do Xingu com amendoim – base de massa sucreé, fina camada de chocolate 70% cacau, e recheio de mel com amendoim. Torta média (R$ 150, serve 12 fatias) / torta grande (R$ 220, serve 18 fatias) / fatia (R$ 17).

Rua Fradique Coutinho, 942 – Vila Madalena

Rua Renato Paes de Barros, 433 – Itaim

Telefone: (11) 4301-6003

Rainha (PF Mercado Municipal de Pinheiros)

PF Mercadão: Filé Saint Peter com crosta de pó de cogumelo Yanomami, farofa feita com farinha de mandioca e puxada no óleo de pequi Kisêdjê, banana grelhada e arroz branco (R$ 40).

Rua Pedro Cristi, 89 – Box 77 – Pinheiros

Telefone: (11) 3813-2171

Tordesilhas

Foto: Leo Martins

Moqueca de pupunha com óleo de pequi Kisêdjê e farinha de mandioca do Quilombo Porto Velho (R$ 68).

Suco de limão cravo com taiada (doce quilombola à base de rapadura, farinha de mandioca e gengibre) R$ 12.

Alameda Tietê, 489 – Jardins

Telefone: (11) 3107-7444

Conheça os ingredientes produzidos pelos povos da floresta

Cozinheira prepara migau de farinha de babaçu na TI Xipaya, na aldeia Tukayá ( Foto: Clareto/ISA)

Óleo de Pequi do Povo Kisêdjê do Xingu – A polpa de pequi vira um líquido dourado e aromático a partir de técnicas ancestrais e modernas. Produzido na Terra Indígena Wawi (MT), do povo Khisêtjê, a iniciativa foi vencedora do Prêmio Equatorial da ONU em 2019.

Cogumelo Yanomami inteiro – Feito com 15 espécies macias nativas e espontâneas, o sabor lembra o do shiitake e de outros cogumelos orientais. Produzido na Terra Indígena Yanomami (RR).

Cogumelo Yanomami em pó – A mistura traz espécies sem paralelo no mundo, direto da roça tradicional do povo Yanomami. Produzido na Terra Indígena Yanomami (RR).

Pimenta Baniwa – Torrada e seca ao sol, ela tem sabor defumado e alta picância. A produção é exclusiva das mulheres Baniwa da Terra Indígena Alto Rio Negro (AM).


Mel dos Índios do Xingu – Cada vidro é único e guarda o sabor da florada silvestre dominante da aldeia produtora. As colmeias ficam no Território Indígena do Xingu (MT). Iniciativa vencedora do Prêmio Equatorial da ONU em 2017.


Castanha-do-Pará Vem do Xingu – Semente rica em óleos e minerais importantes para a saúde, é um dos principais produtos de comunidades extrativistas da Terra do Meio (PA), que lançaram recentemente a marca coletiva Vem do Xingu.

Farinha de Babaçu Vem do Xingu – Produzida por indígenas, ribeirinhos e agricultores familiares da Terra do Meio (PA), a farinha é beneficiada em miniusinas multiprodutos instaladas dentro das comunidades. Rica em ferro, fibras e amido, tem sido incorporada na merenda escolar na região de Altamira, no Pará.


Óleo de Babaçu Vem do Xingu – Produzido por indígenas, ribeirinhos e agricultores familiares da Terra do Meio (PA), o óleo é extraído a frio das amêndoas do coco babaçu em miniusinas multiprodutos instaladas dentro das comunidades.


Rapadura Tradição Quilombola do Quilombo Porto Velho, Vale do Ribeira (SP) – Produzida com cana-de-açúcar da roça quilombola, sem adubos sintéticos e agrotóxicos.


Farinha de mandioca do Quilombo Porto Velho, Vale do Ribeira (SP) – A mandioca 100% orgânica é triturada e peneirada nos mesmos moldes de 300 anos atrás.


Taiada do Quilombo Porto Velho, Vale do Ribeira (SP) – Doce à base de rapadura, farinha de mandioca e gengibre, é um dos alimentos mais tradicionais da roça. Dá energia e força para o trabalho no campo.

Banana chips do Quilombo Nhunguara, Vale do Ribeira (SP) – Produzida em uma fábrica gerida por mulheres quilombolas, é frita em óleo de palma e temperada com sal.


Cumaru das Comunidades Extrativistas do PDS Paraíso, Alenquer (PA) – A coleta das sementes da fruta amazônica envolve toda a família, gera renda e não prejudica a floresta.


Farinha Mawkîn – Paçoca torradinha de castanha-do-Pará com beiju, é produzida por mulheres na Terra Indígena Wai Wai (RR).

Serviço

socioambiental.org/pt-br/o-isa

Instagram: @ socioambiental

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Bares e Restaurantes