Minas 300 Anos: broa de fubá com queijo: sabores da Picada de Goiás

Hoje apresentamos mais uma história de Mestres dos Quintais e Quitandas de Minas Gerais nestas comemorações dos 300 anos do estado da gastronomia no Brasil.Veja a história da Vó Orozita e aprenda na linguagem simples dela o preparo de uma das maiores iguarias dos fornos mineiros.

Hoje apresentamos mais uma história de Mestres dos Quintais e Quitandas de Minas Gerais nestas comemorações dos 300 anos do estado da gastronomia no Brasil.Veja a história da Vó Orozita e aprenda na linguagem simples dela o preparo de uma das maiores iguarias dos fornos mineiros.

Broa de Fubá de Canjica da Vó Orozita

Das Séries: Quintais e Quitandas de Minas e Receitas Históricas de Minas Gerais

Por: Chefs Carla Dias e Fernanda Roberta de Oliveira*

A Picada de Goiás como é conhecida uma das estradas reais de Minas Gerais, começava em São João del-Rei, e seguia no sentido do centro oeste mineiro até chegar a Goiás, deixando heranças históricas nas cozinhas por onde passava.

Municípios como Bambuí, Araxá, Patrocínio, Coromandel, Paracatu dentre outros foram agraciados com saborosas heranças culinárias que fortaleceram a formação da imagem gastronômica de Minas Gerais.

Hoje apresentamos uma dessas histórias das quitandeiras da região do cerrado mineiro, contada pela Chef Carla Dias, colaboradora do Territórios Gastronômicos, e por sua colega de pós graduação em gastronomia, Fernanda Roberta de Oliveira. Trata-se da história e receita da família da Fernanda e, segundo ela, esta receita da broa de fubá passou várias gerações na família, pois era preparada pela mãe e pela avó de sua avó, a Vó Orozita

Vó Orozita

Dona Orozita Rosa Ferreira de Oliveira, nasceu em 9 de março de 1942, na Fazenda da Onça no município de Presidente Olegário. Casada há 59 anos, tem 6 filhos, 7 netos, 1 neta e 2 bisnetos, todos apaixonados pelo seu tempero…

Nossa Mestra Vó Orozita

“Comecei com 12 anos. Fazia comida para umas trinta pessoas. Pois meu pai moía cana e fazia rapadura, açúcar e até pinga pois tinha alambique. Então precisava muita gente para os serviços. Além disso, na mesma época, ralava mandioca, fazia farinha e polvilho. A gente fazia três comidas de sal. O café da manhã era pirão de costela de vaca com pimenta do reino e cebolinha acompanhada de tutu de feijão com arroz. A minha mãe que me ensinou. Fazia também pelota, carne de sol, linguiça. Quando faço essas comidas me recordo com saudades!!!”

“A gente fazia bolo de fubá.. Assava na caçarola, no fogão de lenha. Colocava uma tampa por cima com brasa para assar”.

“Assava no forno. Colocava lenha. Quando virava brasa, varia com vassoura de ramo. A gente fazia mais o pão de queijo e broa da massa de queijo.
Fazia também biscoito da massa da mandioca”

Receita:

Broa de Fubá de Canjica com massa de Queijo

Assim Vó Orozita nos passou a receita…

” Cê escorre bem a massa do queijo. Depois esfarela a massa. Na massa de 1 queijo coloca um copo de açúcar. Uma pitada de sal. Bate à mão 12 ovos. Bate bastante até acabar o cheiro. Coloca na massa e vai pondo creme de canjica. E vai mexendo até o ponto de enrolar. Forno temperado. Bom apetite. !!!!!!”

Clique aqui e veja o vídeo da broa de fubá da lanchonete Barril na BR 262, que liga Minas a Goiás. Uma parada obrigatória para quem gosta das coisas boas de Minas Gerais, doces, queijos, cafés, cachaças, quitandas e um imperdível leitão assado todos os dias no almoço.

Chef Carla Dias

*As chefs são colaboradoras do Territórios Gastronômicos e garimpam receitas históricas utilizando produtos das Identidades Gastronômicas do Cerrado, especialmente do Alto Paranaíba e Noroeste, onde também buscam histórias e “causos” de Mestres e Mestras dos quintais e das cozinhas regionais daqueles territórios.

Mapa dos Territórios Gastronômicos de Minas Gerais: O município de Presidente Olegário está localizado no Território Cerrado/Paracatu.

EA/TG – CERRADO/PARACATU

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.