Minas 300 anos: frango com gueiroba ou guariroba

Marca registrada do cerrado mineiro na região do triângulo, esta iguaria regional e histórica traz os temperos da religiosidade e das tradições dos quilombolas neste rico território gastronômico brasileiro.

Marca registrada do cerrado mineiro na região do triângulo, esta iguaria regional e histórica traz os temperos da religiosidade e das tradições dos quilombolas neste rico território gastronômico brasileiro.

Frango com gueiroba (guariroba)

Da Série: Receitas Históricas de Minas Gerais*

Ingredientes:

Para o frango:

– 1 pitada de cheiro-verde

– 1 frango caipira fresco

– 1 cebola grande

– 4 dentes de alho picadinhos

– Sal a gosto

– Pimenta-do-reino a gosto

– 1 copo (americano) de vinagre

– 1 litro de água

– 2 tabletes de caldo de galinha

Para a gueiroba:

– Uma gueiroba inteira de 1 quilo

– Suco de 1 limão-capeta

– 1 litro de água

– 2 colheres (sopa) de manteiga

– 1 colher (sopa) de cebola ralada

– Meia colher (sopa) de coentro picado (ou salsa)

– 1 litro de leite já fervido

– Sal a gosto

Modo de Preparo:

Picar o frango e lavar com a solução de um litro de água e um copo de vinagre. Temperar a carne com alho, pimenta-do-reino e sal. Em uma panela comum, dourar bem meia cebola ralada. Acrescentar o frango e fritar até ficar bem moreno. Retirar o excesso de óleo. Pôr água fria até cobrir a carne, acrescentar o caldo de galinha e deixar cozinhar. Depois que a carne estiver cozida, acrescentar cheio-verde e o resto da cebola picadinha.

Em um recipiente, picar a gueiroba na solução de água com limão. Escorrer, enxaguar com água corrente e reservar. Esquentar a manteiga em uma panela e refogar a cebola e o alho. Pôr a gueiroba, o leite e deixar cozinhar por 30 minutos. Salpicar o coentro (ou salsa) e servir acompanhando o frango.

(foto: Renato Weil/EM)

*Receita fornecida por Almir José de Souza de Uberlândia para o Projeto Sabores de Minas

(foto: Renato Weil/EM)
(foto: Renato Weil/EM)

Dos tempos da escravidão

Um cantinho na Região Sul de Uberlândia guarda uma história de grande valor para a cultura do estado e do país. O local onde hoje é o Bairro Patrimômio foi habitado por negros depois da abolição da escravatura. É um lugar carregado de histórias, que mantém algumas tradições mesmo que tenham resistido apenas 20% das famílias que lá iniciaram suas vidas. Almir José de Souza, nascido no bairro, representa a geração dos que chegaram na década de 1920.

Ele cuida do espaço, idealizado pelos pais em 1949 para abrigar as festas em que se comemoram dias de santos do candomblé e datas como o Dia Nacional da Consciência Negra e da abolição. O local também já foi sede da Sociedade Esportiva e Cultural Guarani, que fez história em Uberlândia. Hoje, apresenta com orgulho o lugar em que preserva a cultura negra na região. Por lá, comida mineira e uma música bem animada não podem faltar como ingredientes para reunir as pessoas.

“Cozinhar é um ato espiritual, um prazer muito grande, é a minha vida”, resume. Ele se considera um cozinheiro da comida popular, um autodidata que encanta com suas habilidades culinárias. O prato do dia tem jeitinho de comida regional, porque usa gueiroba, ou guariroba, um tipo de palmito e encontrado na vegetação do cerrado. Puro sabor da terra.

Mapa dos Territórios Gastronômicos de Minas gerais: O município de Uberlândia está localizado no Território Cerrado/Rio Paranaíba

EA/TG – CERRADO/RIO PARANAÍBA

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.