Bolo de pequi, o controverso rei do cerrado

Descubra o Pequi, o Rei do Cerrado! Aprenda uma quitanda deliciosa com a polpa e com a castanha do Pequi.

Descubra o Pequi, o Rei do Cerrado! Aprenda uma quitanda deliciosa com a polpa e com a castanha do Pequi.

O Rei Pequi

Por: Eduardo Avelar

Olá amigo da cozinha!

Antes de apresentar esta receita de Bolo de Pequi, gostaria de dividir com você, minhas apaixonadas – mas não por isso menos verdadeiras impressões, sobre esta iguaria brasileira ainda tão desconhecida e injustiçada.

O Pequi, é o fruto mais conhecido, mais comercializado e mais consumido entre seus pares desse bioma do cerrado, a mais rica savana do planeta.

Ainda muito controverso, é adorado em grande parte do Brasil e odiado por alguns, que eu diria… menos tolerantes aos sabores exóticos ou talvez… mais simples e populares.

Estigmatizado como patinho feio, talvez por seu status social, o pequi não é tão “apreciado” por paladares refinados adeptos das caríssimas e inatingíveis trufas. Essas iguarias de Alba na Itália e Périgueux na França, as enormes trufas brancas e as pequenas e aromáticas trufas negras, cujos aromas e sabores são tão inebriantes e fortes como o popular pequi, se diferenciam indiscutivelmente sob o aspecto de aceitação dos seus sabores exóticos, especialmente pelo marketing econômico e cultural histórico da gastronomia de além mar.

Mas a despeito do desconhecimento mundial desse nosso sabor exótico, se colocarmos na balança as propriedades nutricionais, medicinais e funcionais do “pobre e odiado pequi”, ele se tornará o grande alimento do futuro próximo, quando for “descoberto” pelos exigentes novos consumidores mundiais, que além de valorizar sabor e propriedades saudáveis, acrescentam nas suas escolhas o marketing da sustentabilidade, do respeito à natureza e ao desenvolvimento social e econômico dos povos extrativistas. Ai a balança irá se equilibrar e talvez até pender para o lado do Cerrado brasileiro

O que ainda falta é um trabalho mais científico dos nossos grandes profissionais de cozinha, que precisam, por sua vez, descobrir o potencial e a diversidade de opções que este fruto sagrado oferece nos mais diferentes preparos, atenuando para os mais exigentes o seu forte sabor e harmonizando com outros sentidos do gosto. Preparos esses que se potencializarão a partir das técnicas bem aplicadas, aliadas ao bom marketing desses profissionais, como grandes formadores de opinião que são.

O nosso Rei Pequi, seguido este protocolo pelos grandes chefs do Brasil, ocupará em breve um lugar na prateleira de cima da gastronomia mundial, onde se encontram os famosos fungos subterrâneos franceses e italianos, que são tratados como jóias na alta corte do consumo e nos grandes restaurantes do planeta.

Veja a receita do Chef Frederico Trindade com Roti de Pequi

Portanto amigos, para aqueles que ainda não perceberam, que fiquem atentos. Mas para aquela grande maioria, que como eu, ama o Pequi, seja ele da Serra do Rola Moça em Brumadinho, de Divinópolis ou Itaúna, de Sete Lagoas, Curvelo, ou Montes Claros e arredores, seja do Serro, de Bonito de Minas, de Goiás, do Tocantins ou do sul do Pará, apresento uma simples receita de Itumirim que fica no Território da Mantiqueira/Centro Sul, e que bem representa as alternativas diversas do fruto também nas quitandas.

Aproveite da polpa às castanhas pois ainda é estação do pequi.

Saudações gastronômicas!!!

Bolo de pequi

Da Série: Quintais e Quitandas de Minas Gerais*

Ingredientes:

– 4 ovos

– 1 xícara e meia (chá) de açúcar refinado

– 1 xícara (chá) de leite

– 4 colheres (sopa) de manteiga

– 3 colheres (sopa) de polpa de pequi

– 2 xícaras e meia (chá) de farinha de trigo

– 1 pitada de sal

– 1 colher (sopa) de fermento químico em pó

Para a cobertura

– 1 lata de leite condensado

– 1 colher (sopa) de manteiga com sal

– 1 colher (café) de polpa de pequi

– Castanha de pequi torrada e triturada a gosto

Preparo:

Bater as claras em neve.

Em outra vasilha, bater as gemas, o açúcar e a manteiga.

No liquidificador, bater o leite com a polpa do pequi.

Juntar as três misturas em uma vasilha, pôr a farinha, o fermento e mexer com uma colher.

Assar por 20 minutos em forma untada e polvilhada, em forno aquecido a 180 graus.

Para a cobertura, levar ao fogo todos os ingredientes, exceto a castanha, até dar o ponto de brigadeiro mole (quando começa a se soltar do fundo da panela).

Cobrir o bolo e, por cima, salpicar a castanha.

(foto: Euler Junior/EM)

*Receita fornecida por Ione Nazaré de Carvalho Andrade, de Itumirim para o Projeto Sabores de Minas

(foto: Euler Junior/EM)
(foto: Euler Junior/EM)

Polêmica que encanta

Vez ou outra este controverso ingrediente aparece pelo caminho do Sabores de Minas. Agradando a uns, provocando cara feia em outros, mas sempre com seu reinado garantido na cultura das Gerais. É do pequi que estamos falando, fruta que tem fama no Norte do estado, mas que também acha espaço em outras regiões, caso de Itumirim. Por lá, os moradores também usam o fruto de cor amarela e aroma marcante no preparo de receitas tradicionais.

Na cozinha de Yone Nazaré de Carvalho, o fruto aparece até mesmo nas mesas de café, presente em um apetitoso bolo. Nascida na cidade, ela se destaca no preparo dos cardápios de grandes festas. De tortas personalizadas aos salgadinhos, tudo o que faz vira obra de arte. Como prova, mostra um álbum de fotografias com os registros de suas criações. Segundo ela, a facilidade que tem na cozinha é fruto de vocação.

“Quando era mais nova, não fazia nada. Fui criada como princesa. Depois, fui aprender por vontade própria e descobri que era isso que queria”, conta. Com as panelas, Yone sustentou os quatro filhos, que lhe deram quatro netos. Toda essa turma faz a festa no Restaurante Varandas. “Aqui é a verdadeira casa da mãe Joana”, diverte-se. Em clima amistoso, a tarde se despede e os viajantes caem na estrada.

Satisfeitos, é claro.

Mapa dos Territórios Gastronômicos de Minas Gerais: O município de Itumirim está localizado no Território Mantiqueira/Centro Sul

EA/TG – MANTIQUEIRA/CENTRO SUL

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

All Comments