Projeto Biomas: a riqueza da biodiversidade da Caatinga e sua aplicação na gastronomia

Saiba como do solo árido da Caatinga brotam ingredientes riquíssimos que podem agregar valor à gastronomia.

Saiba como do solo árido da Caatinga brotam ingredientes riquíssimos que podem agregar valor à gastronomia.

*Por Isabel de Andrade

O Territórios Gastronômicos em parceria com a professora de Gastronomia Rosilene Campolina vai mostrar para você a riqueza da biodiversidade da Caatinga e sua aplicação na gastronomia. Ao longo das nossas edições, você vai conhecer as riquezas presentes em cada um dos seis biomas do nosso país e, claro, vai aprender também deliciosas receitas desenvolvidas pelos alunos do curso de Gastronomia da UNA. Acompanhe essa saborosa aventura, cuja ideia surgiu depois de uma palestra/aula por videoconferência da Unidade Curricular Cozinha Brasileira, Sustentabilidade e Segurança Alimentar, ministrada pelos professores Renato Lins Pires e Rosilene Campolina.

A fartura que vem da escassez do semiárido nordestino

*Por Wessery Zago
Jornalista, cozinheiro e Educador do Centro Universitário UNA/BH

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, o que significa que grande parte do seu patrimônio biológico não pode ser encontrado em nenhum outro lugar do planeta.

A Caatinga é o mais fragilizado dos seis biomas do Brasil e o uso insustentável de seus solos e recursos naturais, ao longo de centenas de anos de ocupação, associado à imagem de local pobre e seco, fazem com que a Caatinga esteja bastante degradada.

Entretanto, pesquisas recentes, vêm revelando a riqueza particular do bioma em termos de biodiversidade e fenômenos característicos.

As possibilidades gastronômicas dentro dos elementos da Caatinga – que em tupi-guarani, significa, Mata Branca – são infinitas e, buscar inspiração nesse fascinante cenário para minhas receitas, apresentadas nesse artigo, é motivo de satisfação e gratidão.

Tanto quanto o vaqueiro ou o forró, a culinária nordestina é uma identidade importante do semiárido brasileiro.

A diversidade de alimentos, disponíveis na vegetação nativa ou produzidos nas roças e as originais formas com que são preparados e processados, tem saído das cozinhas dos sertões nordestinos para compor cardápios de restaurantes especializados, além dos produtos de sucesso de agroindústrias nas áreas rurais da região.

Ao desenvolver um prato inspirado na Caatinga, mas com uma roupagem internacional da culinária chinesa, tema de avaliação acadêmica da UC (Unidade Curricular) de Cozinha Brasileira, Sustentabilidade e Segurança Alimentar, ministrada pela dupla de professores do Centro Universitário UNA, Rosilene Campolina e Renato Lins Pires, pude descobrir o verdadeiro potencial desse incrível bioma.

O prato escolhido – o Bun (pão Chinês) – foi desenvolvido tendo como tema principal um dos mais emblemáticos pratos da culinária Nordestina, o Sarapatel.

Como sobremesa, busquei no semiárido, um dos mais importantes símbolos do Sertão, o cactus Coroa de Frade. O acompanhamento da castanha, sorvete de pequi e queijo coalho trouxe para essa sobremesa uma sensação de afetividade.

Para harmonizar essas duas receitas, desenvolvi um drink de seriguela, xarope de jambo, picolé de seriguela e Cachaça Divina D’Minas, da qual sou o Embaixador.

As quatro receitas criadas por Wessery Zago estarão disponíveis nas próximas edições de Territórios Gastronômicos.

O exotismo de alguns dos sabores da Caatinga tem feito o consumo de espécies da vegetação nativa, a exemplo do umbu, jambo, o maracujá da caatinga e a palma orelha de elefante – antes utilizada na alimentação animal – passarem de hábito alimentar da população local a produtos processados que são comercializados em mercados especializados do Brasil e do exterior.

É preciso nos empenharmos em buscar identificar matérias-primas de potencial tecnológico e nutritivo para o desenvolvimento de novos produtos alimentícios que são facilmente encontrados na Caatinga.

Apesar de menor e com espécies menos abundantes do que a Amazônia e a Mata Atlântica, a Caatinga contribui, sobremaneira, para a chamada Cozinha de Origem, tornando a gastronomia brasileira uma das mais ricas e apreciadas do mundo.

Definitivamente, o alimento é uma ótima estratégia para criar conexão entre pessoas, culturas e territórios.

A ideia desse artigo parte do princípio de ampliarmos esse conhecimento sobre a diversidade brasileira, conectando a academia (Escola de Culinária), os produtores e nós, cozinheiros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.