Bacalhau do Amazonas: O sabor do gigante das águas doces

*Por Juliane Maia

Não, você não se deparou com um erro no título. Hoje, vou apresentar aos caros leitores do Territórios Gastronômicos o rei das águas amazônicas: nosso aclamado Pirarucu.

Tal como o bacalhau, estamos diante de um peixe nobre e encorpado, apresentando uma maciez peculiar em sua textura e, para complementar, um toque aveludado, a depender do modo de preparo.

As suas escamas avermelham-se e em conjunto com os tons azulados formam a sua cartela de cores. E quando imaginam que exagerei ao chamá-lo de gigante, a imagem abaixo pode ilustrar a realidade de forma condigna.

(Foto: Blog do Portari)

E não estamos diante de um peixe sem história. Segundo a lenda indígena, o Pirarucu, na verdade, era um índio guerreiro da nação dos Nalas, que em razão de sua maldade foi castigado pelo Deus Tupã, que após uma longa tempestade, carregada de raios e trovões, transformou o guerreiro em um peixe de grandes escamas e cabeça chata.

Pode até existir quem duvide da lenda indígena, mas poucos desacreditam na experiência gastronômica dessa iguaria. Afinal, a carne peculiar do Pirarucu deu origem a uma imensidão de pratos deliciosos, dentre eles, o Pirarucu à Casaca, a ser apresentado a vocês hoje.

Os leitores que acompanharam o meu último texto devem estar se perguntando… Cadê a Dona Irlete? Ela tem alguma carta na manga para esse famoso Pirarucu?

E a resposta é positiva! Irletinha possui um jeito todo especial de enaltecer o famigerado peixe e deixa seu toque de mestre quando faz o conhecido Pirarucu à Casaca.

(Foto: Juliane Maia)

Então peguem a caneta e o papel porque vou passar os ingredientes, um a um, incluindo o segredo oferecido por minha avó. Para esse prato, é preciso da matéria prima básica, é claro, o próprio Pirarucu, além de azeite, tomates picados, cebola, cheiro verde, pimenta de cheiro, batata palha, banana da terra frita e farinha de mandioca.

Bom, como já é de conhecimento geral, minha avó tem um jeito só dela de fazer as coisas e quando conversamos, a receita teve inúmeros acréscimos de ingredientes inusitados como ameixa seca, uva passa, pimentão, leite de coco e azeitonas sem caroço, pretas e verdes.

O Pirarucu tem um ritual de preparação intenso e começa na noite anterior, ao colocar o peixe de molho. No dia seguinte, a água é trocada três vezes, o peixe é frito e os complementos são preparados. Banana da terra frita, farofa na manteiga com leite de coco e a mistura de verduras e frutas.

Ao final, basta fazer a montagem e servir. Quando liguei para dona Irlete e ela me deu a sua minuciosa explicação sobre o modo de preparo, que lhe é exclusivo, finalizou dizendo “Estamos conversadas. É só abrir a boca e comer até dizer chega!”.

(Foto: Juliane Maia)

De fato, a combinação fala por si só e quem começa a comer não para até estar cheio. Ainda assim, continua triste por não aguentar mais.

Esse foi o prato escolhido da vez, mas estou curiosa para saber o que acharam! Aguardem a próxima delícia.

Até breve!

*Juliane Maia
Advogada amante de gastronomia – correspondente dos territórios amazonenses.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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