O saboroso universo das cervejas Bock

Por Mauro Manzali Bonaccorsi

Olá, leitores! Como o frio ainda não deu trégua, neste segundo artigo vamos abordar outras cervejas que combinam com a estação de inverno. Quem se lembra da Kaiser Bock, que infelizmente não é mais produzida? Nossa velha conhecida, de cor avermelhado escuro. E sim, esta é uma característica comum nesses quatro estilos de cervejas, que também carregam o termo Bock como nome ou parte do nome estilístico.

A palavra Bock tem origem em Einbeck, uma cidade ao norte da Alemanha, que produzia e exportava a cerveja, empregando levedura Ale, até para a Rússia, na época da Liga Hanseática (séc. 14 a 17). No século 17 a cerveja chega a Munique e passa a ser produzida com levedura Lager. Bock em dialeto bávaro alemão significa bode, um animal que simboliza a força e que tem tudo a ver com essas cervejas que também proporcionam algum aquecimento, por força do álcool. Mas não se assustem, pois ele é muito bem inserido e envolvido pelos maltes.

Aliás, todos esses estilos apresentam um maltado rico e complexo no aroma, dominada pelos produtos de Maillard resultante de uma fervura mais longa e vigorosa do mosto ou por emprego de técnica de decocção. Algumas notas de caramelo podem estar presentes. Dos maltes ainda vêm aromas e sabores de frutas escuras, sobretudo uvas e bananas passas, ameixa preta e figos secos. O amargor de lúpulo é geralmente só o suficiente para o equilibrar com os sabores de malte, o que permite perceber um pouco de dulçor no final que, porém, nunca é enjoativo. Aromas e sabores de lúpulos são praticamente ausentes, com exceção das variantes de Bock e Doppelbock mais claras, mas que por sua vez, apresentam menos complexidade de maltes.

As Bocks (Helles Bock – versão clara e Dunkles Bock – versão escura), são as com teor alcoólico mais baixo, variando de 6,3 a 7,4% APV e menos encorpadas. Já as Doppelbock, como o nome indica, são cervejas mais fortes, mas não exatamente com o dobro de teor alcoólico: variam de 7 a 10% APV e tem sua origem no Mosteiro de São Francisco de Paula, em Munique (sim, os monges faziam e continuam a fazer cerveja muito bem, o que explanaremos em outro artigo). Esta cerveja mais forte e mais ricas em malte era um verdadeiro pão líquido para os monges que consumiam esta cerveja para os períodos de jejum. As Weizenbock, como o nome indica, são variantes de Bock e Doppelbock, com emprego de malte de trigo, e foram criadas para serem consumidas nos festejos de Natal, sendo o teor alcoólico variando entre 6,5 a 9% APV. Por fim, a Eisbock, que se vale da técnica de congelamento em cervejas do estilo Bock e Doppelbock para deixa-las com uma concentração de maltes e álcool mais alta, razão pela qual são encorpadas, licorosas, sendo a variação dos níveis de álcool mais ampla, entre 7% a 33% ABV.

Uma especialidade tradicional de Kulmback, elaborada através do congelamento de uma Doppelbock e Posterior remoção do gelo para concentrar o sabor e o teor de álcool (bem como qualquer possível defeito).

A Cervejaria Prússia, localizada em São Gonçalo do Rio Abaixo, produz uma Doppelbock, a Desbravator. E a Läut, baseada no Jardim Canadá, em Nova Lima, também oferece uma Doppelbock, a Cabrón. Que tal experimentar essas cervejas mineiras?

Mauro Manzali Bonaccorsi

Juiz de cervejas com certificação internacional (Beer Judge Certification Program) Beer Sommelier diplomado pela Doemens Academy/Senac-SP; Cervejeiro Caseiro ganhador de medalha de ouro com amostras em competições nacionais e internacionais (National Homebrew Competition 2019); Idealizador do Brasil Beer Guide app, disponível na AppStore e na GooglePlay.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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