Queijo Dinho: Outra joia da Canastra premiada na França

O Queijo Dinho, produzido em Pium-i, mantêm a qualidade do produto artesanal da Serra da Canastra (MG).

Por Augusto Albertini

Carregar a tarefa de manter a qualidade de um dos maiores patrimônios culturais de Minas Gerais não é uma tarefa para qualquer um, mas quando falamos do município de Piumhi, na região oeste do Estado, estamos nos referindo a uma das regiões mais ricas na arte de produção de queijos artesanais do Brasil.

A história deste queijo, em especial, começa nos anos 2000, com o’s irmãos Allan Diego da Silva e Igor Messias da Silva, na Fazenda Água Limpa. Os dois fazem parte da quarta geração de uma família produtora de queijos, e o produto deles foi carinhosamente batizado com o nome do pai, o Queijo Dinho.

Atualmente, Allan cuida da parte da produção de queijos, e Igor cuida das vendas, da divulgação em mídias sociais e dos insumos.

Fazenda Água Limpa em Piumhi (Foto: Divulgação / Queijo do Dinho)

Aliás, o próprio Dinho, cujo nome completo é Hildo Narcísio da Silva, também trabalhou durante muito tempo com a produção de queijo na mesma fazenda. Embora as relações comerciais da época não permitissem que ele batizasse o seu produto, ele se sente bastante orgulhoso da homenagem feita pelos filhos.

“Esse negócio de dar nome ao queijo é novo na Canastra, até pouco tempo, queijo se chamava de queijo mesmo, e só. Isso é devido a relação comercial que vigorava, o produtor raramente vendia seu queijo ao consumidor final. Ele entregava seu produto para atravessadores, que era quem lucrava com o produto, e para eles pouco importava se o queijo era do João, do Chico ou do Bastião”, conta Igor.

Com o passar do tempo, o produtor foi ficando mais exigente, e começou a buscar informações sobre o produto que está consumindo. Esta mudança permitiu que a Fazenda Água Limpa ampliasse seus horizontes, e possibilitou uma série de investimentos na qualidade e na autenticidade dos queijos.

Maturando a tradição

O Queijo da Canastra possui métodos específicos de produção, sua maturação não pode ser feita em câmaras climatizadas, ele depende exclusivamente do clima da região para atingir um bom resultado. Não há padrão de qualidade como o das industrias, a natureza é o que determina o resultado final.

O calor e o frio resultam em dois processos diferentes de maturação, no primeiro ele é colonizado naturalmente por bactérias, que formam buracos no interior do queijo. O outro é a proteólise, que acontece na casca do queijo, deixando-o enrugado, enrijecido e com sabor acentuado. Ambas as qualidades são exploradas comercialmente por Igor e Allan, e o consumidor tem a oportunidade de consumir um produto único e alta qualidade.

Queijo colonizado por bactérias propiônicas (Foto: Igor Messias da Silva)

A grande marca do Queijo Dinho é o sabor de leite cru que se destaca, devido a pouca quantidade de sal usada na sua elaboração. Sua textura também chama atenção devido a sua alta cremosidade.

Essas características fizeram com que o produto conquistasse diversos prêmios importantes, e o maior deles foi este ano. O Queijo Dinho conseguiu a medalha de bronze no concurso Le Mondial du Fromage, na França. Ao todo, 953 variedades de 20 países participaram da premiação, o que certamente valorizou o trabalho da Fazenda Água Limpa.

Queijo Dinho que sofreu processo de proteólise na casca (Foto: Igor Messias)

Todos os dias são produzidos dez queijos na propriedade rural de Piumhi, eles são vendidos nas principais cidades do sudeste brasileiro, e também podem ser comprados diretamente com o produtor. Para isto basta que o cliente, ao chegar no município, digite “Queijo Dinho” no GPS, que o aplicativo irá localizar a propriedade.

(Foto de Capa: Divulgação / Queijo Dinho)

Augusto Albertini
Jornalista e colaborador do Territórios Gastronômicos

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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