Profiteroles com o jeitinho mineiro e apelidos divertidos

A receita de Profiteroles, criada por um chef italiano no seculo XVI na França, faz parte de um tesouro descoberto pela equipe do Projeto Sabores de MInas em cadernos de receitas bem antigos em duas regiões diferentes de Minas.. O profiteroles tradicional para acompanhar o cafezinho, preparado por Mestra Geralda Cruz de Pedro Leopoldo, tem algumas sugestões dela para tornar a iguaria bem mineira. Confira a receita original e veja as sugestões da mestra para alguns recheios doces ou salgados que falam “uai”. E a versão de uma quitandeira tradicional de Ponte Nova traz sutis diferenças no preparo e ingredientes,mas o nome é no mínimo bem sugestivo. Aproveite e faça o teste, pois é muito fácil e divertido!!

A receita de Profiteroles, criada por um chef italiano no seculo XVI na França, faz parte de um tesouro descoberto pela equipe do Projeto Sabores de MInas em cadernos de receitas bem antigos em duas regiões diferentes de Minas.. O profiteroles tradicional para acompanhar o cafezinho, preparado por Mestra Geralda Cruz de Pedro Leopoldo, tem algumas sugestões dela para tornar a iguaria bem mineira. Confira a receita original e veja as sugestões da mestra para alguns recheios doces ou salgados que falam “uai”. E a versão de uma quitandeira tradicional de Ponte Nova traz sutis diferenças no preparo e ingredientes,mas o nome é no mínimo bem sugestivo. Aproveite e faça o teste, pois é muito fácil e divertido!!

Bomba ou Cabeça de Macaco?

Da Série: Quintais e Quitandas de Minas Gerais*

“Bomba” da Mestra Geralda Viana Cruz de Pedro Leopoldo

Ingredientes:

– 2 xícaras e meia (chá) de água

– 1 colher (chá) de sal
Meia xícara (chá) de óleo
1 colher (chá) de manteiga
3 xícaras (chá) de farinha de trigo
6 ovos
Óleo ou manteiga para untar

Modo de Preparo:

Levar ao fogo a água, o sal, o óleo e a manteiga. Quando começar a ferver, pôr a farinha de trigo e mexer até dar o ponto de um angu duro. Se for necessário, pôr mais um pouco de farinha. Despejar em uma gamela e esperar esfriar um pouco. Pôr os ovos, um a um, e mexer até a mistura ficar homogênea. Em um tabuleiro untado, pôr colheradas da massa e levar ao forno alto, previamente aquecido, por cerca de 20 minutos.

Após esse tempo, verificar se a bomba está com a casca bem sequinha, para que ela não murche depois de retirada do forno.

(foto: Juliana Flister)

Sugestões da Dona Geralda para um recheio diferente

“A bomba pode ser consumida pura ou recheada com pernil, requeijão, ou o que você desejar”.

* Receita fornecida pela Mestra Geralda da Cruz Viana de Pedro Leopoldo para o Projeto Sabores de Minas

(foto: Juliana Flister)
Mestra Geralda e seu forno a lenha (foto: Juliana Flister)

História em fornadas

Em um caderno de páginas amareladas, algumas já soltas, dona Geralda da Cruz Viana procura a receita de uma quitanda que faz sucesso nas mesas de café. Antes, porém, faz questão de mostrar a data anotada em uma das folhas: 1945. Ela enfim encontra o que procura, mas apenas para mostrar como a bomba era feita antigamente, pois a receita que prepara nos dias de hoje, e sabe de cor, é diferente. “Receita é assim, a gente vai mudando com o tempo” Aos 92 anos, dona Geralda esbanja saúde.

Para ler as letras miúdas de livros e revistas de culinária, nada de óculos. Com disposição, circula pelo quintal e mostra seus pés de pitanga e jabuticaba que, infelizmente, não deram muitos frutos este ano por causa da seca. A prosa tranquila e bem-humorada faz qualquer um se sentir como se fosse da família. E enquanto o papo se desenrola, o cheirinho de quitanda anuncia que a bomba está no ponto.

O café também está servido para agraciar os viajantes com mais um fim de tarde inesquecível.

“Cabeça de Macaco” da Quitandeira Tereza Martins Cruz de Ponte Nova

Esta receita, segundo a quitandeira está na família há anos, e foi repassada por sua avó. Um pequeno detalhe a diferencia da receita da mestra Geralda, pois nessa receita de Ponte Nova, a Tereza não utiliza o óleo nem a água que ela substitui pelo leite, mas o nome…quanta diferença!!!

Mas tratam-se da mesma receita à base das Pâte à Choux francesas, que também podem ser recheadas de cremes doces , como pâtissière, ganache de chocolate ou doce de leite, sorvetes, com coberturas de caldas de açúcar ou chocolate e também salgados,. Por lá como aqui, tem alguns nomes diferentes, como caroline, éclair além de profiteroles, apenas se diferenciando nos formatos e nos recheios.

Veja a receita e a história da quitandeira Tereza Martins da Cruz de Ponte Nova

Cabeça de Macaco

Ingredientes:

– 1 kg de farinha de trigo

– 500 ml de leite

– 2 colheres (sopa) de manteiga

– 1 pitada de sal

– 12 ovos

Modo de Preparo:

Numa panela, ferver o leite com a manteiga. Quando levantar fervura, adicionar a farinha de trigo e mexer até virar uma espécie de angu. Desligar o fogo e deixar esfriar. Virar numa gamela ou bacia e adicionar os ovos inteiros. Misturar com as mãos. Untar um tabuleiro com manteiga e polvilhá-lo com farinha de trigo, balançando-o em seguida para tirar o excesso de farinha. Formar os bolinhos com uma colher (de café), mantendo a distância entre eles, pois a massa cresce muito.

Levar ao forno quente durante meia hora. Deixar secar. Rende 70 broinhas.

Batizado pela imaginação

A hospitalidade é uma das maiores características do povo mineiro. Em Ponte Nova, a 180 quilômetros de Belo Horizonte, não é diferente. Os viajantes são recebidos com mesa farta, café coado na hora, doces no capricho e uma broinha salgada de nome curioso e sabor surpreendente. A autora da façanha é Tereza Martins da Cruz, dona da lanchonete Vera Cruz, na rua Abdala Felício, 140, bairro Palmeiras. Ela aprendeu a receita da cabeça-de-macaco com a mãe, dona Ana Sérgia de Jesus, de 95 anos, e prepara diariamente os tabuleiros, para alegria da família e dos fregueses.

Na cozinha, com bom humor, folheia um inseparável caderno e mostra que cozinhar é um permanente ritual de cultura e prazer. Das páginas já meio gastas pelo tempo, abre-se um vasto universo para quem gosta de boa comida. Cada frase se traduz em delicadeza e tradição. Embora tarimbada no seu ofício, Tereza sempre recorre aos seus escritos, confere um ingrediente e outro, corre o olho no modo de preparo, mostrando grande cuidado com o alimento e fidelidade à receita.

Mas o melhor da festa é quando ela surge com a quitanda e oferece as broinhas aos visitantes. “E o nome, de onde vem?”, todos perguntam. A resposta está no próprio formato da quitanda, que lembra a cara do bicho, e na imaginação popular, que, sabemos todos, não tem limite.

Mapas dos Territórios Gastronômicos de Minas Gerais: O município de Pedro Leopoldo está localizado no Território Central/Entorno e o município de Ponte Nova está localizado no Território Mantiqueira/ Doces Montanhas

EA/TG – CENTRAL/ENTORNO
EA/TG – MANTIQUEIRA/ DOCES MONTANHAS

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.