Moqueca de lagostas mineiras: acredite se quiser…

Conheça essa receita que fez história em 3 regiões ao leste de Minas Gerais, que apesar de estarem bem longe do mar tinham em suas identidades culinárias a moqueca e outros preparos dos pitus gigantes capturados e oferecidos pelos pescadores dos rios locais.

Conheça essa receita que fez história em 3 regiões ao leste de Minas Gerais, que apesar de estarem bem longe do mar tinham em suas identidades culinárias a moqueca e outros preparos dos pitus gigantes capturados e oferecidos pelos pescadores dos rios locais.

(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)

As Deliciosas Lagostas de Minas Gerais

Por: Eduardo Avelar*

A mais de 100 Km de distância para a costa do Atlântico, em pleno estado de Minas Gerais, este prato já foi um dos símbolos de algumas regiões às margens dos Rios Jequitinhonha e Mucuri nas divisas com o estado da Bahia e do Rio Doce na divisa com o estado do Espirito Santo.

Conhecidos como lagostas de água doce, esses pitus pretos gigantes, com puãs enormes, até recentemente abundantes nas águas dos rios mineiros, ao serem jogados na panela se transformam nessa cor maravilhosa em receitas apetitosas preparadas por mestras e mestres locais..

Mas infelizmente estão desaparecendo pois além da pesca predatória e indiscriminada ao longo dos anos, no Jequitinhonha a barragem de Salto da Divisa interrompeu a ligação das águas rasas que corriam sobre pedras do rio, com o seu acesso livre até o mar, assim como aconteceu no Mucuri com a hidroelétrica de Santa Clara, localizada abaixo de Nanuque. Por lá, ainda existem restaurantes que vendem os pratos, mas em sua maioria com os crustáceos capturados no litoral baiano.

Já no Rio Doce, o desastre ecológico de Mariana varreu das águas essa iguaria que fazia a festa dos turistas nos restaurantes em Resplendor e Aimorés.

Nós , do Territórios Gastronômicos, esperamos que em breve sejam reinseridos na natureza, a partir de criatórios de alevinos ou em projetos de tanque rede, através das ações de recuperação ambiental que estão sendo propostos para a região.

Se isto ocorrer, nós mineiros poderemos voltar a nos vangloriar de, apesar de de não termos mar, possuirmos uma identidade gastronômica regional baseada, entre outros produtos e receitas, nesta maravilhosa “moqueca de lagostas”.

Esta receita foi garimpada por nossa equipe do Projeto Sabores de Minas, ha quase duas décadas, nas primeiras de uma longa série de viagens, quando percorremos grande parte da região dos Rios no leste e nordeste de Minas Gerais pesquisando os sabores locais.

Bom apetite!

Moqueca de pitu

Ingredientes:

Para a moqueca

– 1 kg de pitu (lagosta de água doce)

– 4 tomates picados

– 2 cebolas picadas

– 1 pimentão picado

– 3 folhas de louro

– Tempero de alho e sal a gosto

– 30 ml de azeite

– 2 colheres (sopa) de extrato de tomate

– 1 colher (café) de colorau

– 2 tabletes de caldo de peixe

– Cebolinha (para decorar)

– Coentro (para decorar)

Para o pirão

– 1 xícara de farinha de mandioca

– 3 conchas do caldo da moqueca

Preparo:

A moqueca

Limpar o crustáceo, tirar a cabeça e a tripa localizada na extremidade da cauda. Aferventar por três minutos, na água com sal. Deixar escorrer. Numa panela de barro, pôr o azeite, o tempero de alho e sal, os tablete de caldo de peixe e fritar o pimentão e a cebola, depois o tomate. Acrescentar o pitu, o louro e dois copos de água. Tampar a panela e cozinhar por 10 a 15 minutos. Enfeitar com cebolinha e coentro picadinhos.

Reservar três conchas do caldo para o pirão.

O pirão

Levar ao fogo o caldo da moqueca com a farinha de mandioca umedecida em água, e, caso seja preciso, juntar mais um pouco de água. A farinha deve ser colocada aos poucos, para não embolar. Mexer para dissolver completamente a farinha, até ganhar consistência de um purê. Porção para três pessoas.


*Receita fornecida por Braulina Soares de Oliveira, de Nanuque para o Projeto Sabores de Minas

De lambuzar os dedos

No almoço, um prato para perder a vergonha e o juízo. Isso mesmo. A moqueca de pitu da Churrascaria Guanabara, em Nanuque, é para comer com os olhos e lambuzar os dedos de molhos e temperos. Impossível ficar sem água na boca diante do crustáceo rosado, conhecido por muita gente como “lagosta de água doce”, que ganha nobreza nas mãos de dona Braulina Soares de Oliveira, de 78 anos. Com ampla experiência no ofício das cozinhas, ela conhece bem a procedência dos pitus, vendidos por pescadores às margens do Mucuri.

E sabe mais ainda da importância do pirão para acompanhá-los e encantar quem se senta à mesa. Vale a pena fazer o pedido e esperar pela refeição, que tem aroma e textura absolutamente sedutores. Na cozinha, dona Braulina lamenta que os crustáceos estejam minguando na região e, por isso, exige respeito à época da reprodução da espécie. Mas, tomados todos os cuidados ambientais, por que não aproveitar? – pensam os viajantes. Cheios de apetite, eles mergulham de ponta nesse manancial de delícias, sem tempo para conversa – só para suspiros. “Gostaram?”, pergunta dona Braulina. Nem é preciso responder, basta olhar a panela de barro e ver que não sobrou nadinha.

Mapa dos Territórios Gastronômicos de Minas Gerais: O município de Nanuque está localizado no Território Rios/Rio Mucuri

EA/TG – RIOS/RIO MUCURI

Saiba mais sobre os Territórios Gastronômicos de Minas Gerais

Venda do livro: Letramento Editora e Livraria

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.