Natureza e Gastronomia nas Serras de Ibitipoca

(Foto: Leonardo Costa)

Chef exalta os Sabores de Ibitipoca

A chef de cozinha Ana Paula proprietária do Oliva Bistro  em Conceição do Ibitipoca tem realizado um belo trabalho para desenvolvimento e promoção das identidades gastronômicas desta região. Coordenando festivais, desenvolvendo produtos e valorizando os ingredientes e os saberes locais a chef demonstra toda sua sensibilidade e amor à gastronomia e a esta terra, um dos mais lindos e aprazíveis destinos turísticos do Brasil.

Você vai conhecer um pouco das identidades gastronômicas que desenham este território na Mantiqueira e se encantar com as histórias, causos, personagens e suas  receitas,  que a partir de hoje serão temperadas com as lembranças e os relatos apaixonados da Chef,  nossa nova colaboradora dos Territórios Gastronômicos:

Deck do Oliva Bistrô (Foto: Leonardo Guimarães)

Ibitipoca –  Por Chef Ana Paula

Num palco de montanhas azuis as Serras do Ibitipoca se lançam além do alcance da vista.

Outrora orgulho do ouro! Hoje cenário verde, que se tece entre mourões, candeias , bromélias, currais e plantações. Casas com chaminés fumegantes por onde se chegam por caminhos ocres pincelados do lilás do capim gordura.

O Ibitipoca é vasto . O Ibitipoca é amplo. As montanhas são vivas e tem hora marcada para acordar, ordenhar e recolher em latões o leite, nosso ouro!
Sem pressa, as mãos experientes, curam, afinam e nos dão o
queijo artesanal das Minas Gerais!

Vão-se estradas, mata- burros, riachos dourados e os ruídos do abre-se e fecha-se porteiras. O “espírito santo” na porta, mostra a serventia das casas e dá as boas vindas ao natural: aqui a vida segue o relógio do sol, da lua e das tradições!

Somos os queijos curados da casca grossa, o café torrado, a banha, os ovos “caipira”, os brotos de samambaia, jabuticaba e pinhão.

Somos o ar puro, as orquídeas e pitaias; a carne de lata, o capote , a juçara, as variadas pimentas e a “maldita” – cachaça que não pode faltar. Tem também o urucum, o louro, o melado, a garapa e o mel puro da jataí .

Nossos quintais são de ora-pro-nobis, alfaces, alecrim,
tomatinhos e capim santo! O “peixinho” brilha em meio as couves cintilantes ; taiobas e inhames que se confundem, a azedinha, o manjericão, os quiabos, o almeirão, o agrião do seco, o feijão da semente
crioula, a vagem,- tudo perto de quebra -pedras, saião, capuchinhas, tansagem e cânforas.

E o cheiro das especiarias que se mistura ao da candeia ardendo no fogão, enquanto as carnes vão curando e pingando seu sabor que se traduz em primazia de um patrimônio do povo das Minas Gerais: cozinheiras, como
num rosário, vão cantando os “causos”, as simpatias, as receitas de geração e até as assombrações !

O Ibitipoca é o chão que brilha de noite e de dia! É o céu pertinho da ‘Láctea.! É o fubá de moinho, o porco, o milho e o feijão! Os queijos, jabuticabas e quitutes dos tachos de leite, cidra e goiaba.

Uma gente que fala com os olhos, que sente o calor e a geada, e festeja o São João com fogueiras, sanfoneiros, bandeirinhas, pau-de-sebo e quentão! Ibitipoca é o vento, é pedra que “poca ”, os raios e o trovão ! É a lua! É o ipê, o pão de canela, acácias e tangerinas que despencam no chão.

É o limão, do cravo e do rosa, as laranjas, aracis; a linguiça no pão de queijo e a emoção: gostinho de quero mais e lembranças de infância… Ibitipoca de Nossa Senhora da Conceição!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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