Loja de BH cria produtos sem leite e ovo para atender alérgicos

Por Augusto Albertini*

Muitas pessoas enxergam as restrições alimentares como algo ruim e pensam que as comidas para alérgicos e intolerantes não são saborosas como as convencionais. No entanto, há quem enxergue possibilidades neste meio, criando uma nova maneira de se fazer gastronomia e acolhendo pessoas que nem sempre puderam ser acolhidas.

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Isabel Curi e Fabrício Meaulo são casados e pais da Lívia, uma garotinha de 6 anos que possui alergia a ovo e à proteína do leite de vaca. Quando ela ainda era apenas um bebê, o casal descobriu que a filha possuía essas restrições alimentares.

Fabrício e Isabel focam em alimentação para pessoas com alergias (Foto: Augusto Albertini)

A adaptação foi complicada. Lívia passava muito mal quando tinha contato com ovo e leite, sofrendo com coceiras na boca, urticárias, edema de glote e chegou a sofrer um choque anafilático. Essas condições fizeram com que a menina deixasse de fazer diversas atividades, como frequentar a casa dos colegas e participar de dinâmicas na escola. Isabel e Fabrício contam que, para que Lívia pudesse ir a um aniversário de algum amigo e se sentir incluída, precisavam fazer um menu com as mesmas opções da festa.

Da necessidade de preparar alimentos para a filha nasceu a vontade de ajudar pessoas que vivem as mesmas dificuldades. Em 2019, eles inauguraram uma franquia da SOS Alergia, uma rede focada em fazer comida especialmente para pessoas que possuem restrições alimentares ao leite, ovo, castanhas e derivados. Na cozinha do estabelecimento, não há manuseio desses ingredientes para evitar que haja contaminação cruzada.

Uma quantidade ínfima de algum desses alimentos é o suficiente para prejudicar a saúde de uma pessoa alérgica: “as pessoas acham que é frescura, elas acham que só um pouquinho não faz mal, mas ‘só um pouquinho’ mata, nós já vivemos isso dentro da nossa própria família”, conta Isabel.


A pequena Lívia serviu como inspiração para a SOS Alergia (Foto: Fabrício Meaulo)

Em geral, as redes de loja possuem um cardápio padronizado e as inovações ficam restritas. No entanto, a cozinha de Isabel e Fabrício é rica em referências da gastronomia mineira. Lá é possível encontrar iguarias como o bolo de milho, bolo de fubá com goiabada, arroz doce, doce de abóbora, mingau de milho verde, canjica, pão de queijo (sem queijo). “Tem coisas que são da franquia, mas outras são feitas aqui, e nós fazemos isso para o mineiro”, afirma Fabrício.


O espaço físico da loja também faz parte da ideia de inclusão proposta pelos proprietários. Diversos brinquedos e passatempos infantis são disponibilizados para que as crianças criem vínculo com o local e falem sobre o que elas gostam de comer. “O nosso intuito é dar um pouco de conforto para a criança poder viver socialmente, para que ela não seja excluída das atividades e das festinhas e possa comer das mesmas coisas que as outras crianças comem, mas com um alimento preparado especialmente para ela”, conta Fabrício.

(Foto: Reprodução / Facebook)

Augusto Albertini
Jornalista e colaborador do Territórios Gastronômicos

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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