Bala: um punhado de ternura dentro de um docinho

Na coluna de hoje, o professor Rafael Duarte recorre à memória afetiva para lembrar quanta ternura pode estar escondida em um pedacinho de bala. Ao final do texto, veja uma receita especial desse delicioso docinho.

Na coluna de hoje, o professor Rafael Duarte recorre à memória afetiva para lembrar quanta ternura pode estar escondida em um pedacinho de bala. Ao final do texto, veja uma receita especial desse delicioso docinho.

*Por Rafael Duarte
Professor de Literatura
@rafaelduarte_silva

Eu adoro mastigar bala. Dizem por aí que quem mastiga bala é ansioso. Eu sou ansioso e adoro mastigar bala. Não sei se há alguma relação direta entre a bala e o estado emocional, mas a minha vontade de mastigar, nem sempre está ligada à ansiedade, na maioria das vezes, é o tédio que me motiva a morder um “açucarzinho”.

Não sou nenhum “balomaníaco”, não me preocupo com isso o dia todo. Dou mais importância, no decorrer do tempo, às aulas que tenho que preparar e aos cuidados que tenho que tomar – que não são poucos – com a retomada das aulas presenciais. Também penso – e sofro, nesse caso, muito – pelo fato de não poder ter contato com minha filha, por causa da tal retomada das aulas presenciais. Dói tanto que nem bala resolve.

Uma coisa que não me esqueço é de quando inventaram a bala de R$ 0,01, aquelas pequeninas bombas de açúcar e corante, que facilitavam o troco nas vendinhas. Ainda guardo, também, na lembrança, e, sempre que posso, encho as garrafas de vidro, que ficam em cima da mesa daqui de casa, porque é bonito, das jujubas coloridas. Estas, na infância, eram separadas pela cor, pois cada cor representava um sabor e o consumo de todas elas ela medido pela necessidade de ter mais prazer ou ser mais torturado, isso ia da vermelha à azul. Dependendo do momento, começava da tristeza à alegria, em outras situações, já corria logo para os braços da felicidade. Atualmente, confesso, não noto diferença, nem na cor, nem no sabor.

Agora, nesse momento confuso, escrevo mastigando uma bala de abacaxi cujo papel é ilustrado com uma macaquinha. Essas, sim, mudaram muito ao longo do tempo, nuu! Antigamente, logo depois de colocar na boca e dar a primeira mordida, elas esfarelavam, pois eram porosas e de sabor levemente cítrico. Hoje, na primeira dentada, me grudam nos dentes ou no céu da boca, que até exigem um certo esforço pra seguir firme até o fim. Mais parecem chicletes do que propriamente uma bala macia. A diferença é que o sabor termina junto da massa mastigável, já o chiclete, não.

Bom, algo precisa ser dito sobre o caramelo. Nem sei se vale a pena chamar um caramelo de bala. Essa maciez, esse quadradinho de ternura e delicadeza, esse presente que traz um quentinho no coração. Eu não conheço quem não goste de ter esse doce escorregando pelos dentes, tomando a boca toda, acariciando a língua pouco a pouco. Se há alguém que não goste, por favor, mantenha o sigilo, não desperte a ira argumentativa do escritor aqui. Podemos entrar num debate sem fim. Hehe.

A verdade é que, com bala ou não, o país já ultrapassou a marca dos 250 mil mortos pela COVID, não há distanciamento social rígido, não há seriedade com as medidas sanitárias e não há vacina pra todo mundo. Quem me dera se a saída pra isso tudo fosse uma balinha ou um punhado de açúcar, mas não. Não é. O que nos resta é consciência, cuidado, paciência e resistência. Enquanto isso, pra controlar a ansiedade do risco de entrar em sala de aula no meio de uma pandemia, só mesmo um caramelo: um quadradinho de alegria.

Foto de capa: Pixabay

Já que o assunto é bala, que tal aprender uma receita deliciosa de bala feita com leite em pó? Quem ensina é a chef Elzinha Nunes. Confira na reportagem de Territórios Gastronômicos.

Bala de leite em pó: uma delícia muito fácil de ser preparada

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.