Minas Gerais busca consolidar-se no mercado de vinhos

Depois da cachaça e da cerveja, vinícolas querem transformar Minas Gerais em referência de bons vinhos.

Por Augusto Albertini

Minas Gerais possui um grande território e uma geografia privilegiada, características que fazem com que o Estado abrigue uma diversidade climática, cultural e gastronômica. Não é à toa que a cozinha mineira é tão aclamada pelos seus produtos, temperos e versatilidade. O café, o queijo, a cerveja e a cachaça são alguns dos itens apreciados em todo o Brasil e até em outros países.

A tradição da cozinha mineira é incontestável e novos produtores querem explorar a versatilidade da geografia de Minas Gerais, a fim de enriquecer a gastronomia local. É o caso das vinícolas que começam a se consolidar no mercado regional.

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De fato, Minas Gerais não possui grande tradição na produção de vinhos, mas a situação começou a mudar em 2015, quando o vinho Maria Maria Bel Sauvignon Blanc, produzido no município de Três Pontas (MG), foi reconhecido pela revista inglesa “Decanter” como um dos melhores do mundo. O prêmio gerou visibilidade e investimento, e novas vinícolas começaram a surgir.

As uvas doces do Sul de Minas

No território de Fortaleza de Minas, uma pequena fazenda produtora de uvas e morangos começou a descobrir em 2017 que os frutos produzidos ali tinham um grande potencial. As uvas, em especial, tinham um gosto extremamente doce, devido ao clima seco da região, que conta com bastante calor e luz solar durante o dia e frio durante as noites. O sabor da fruta sempre despertava a atenção dos consumidores que a experimentavam.

Esta fazenda é propriedade de Antônio Santos Camargo, que desde 1978 se dedicou ao plantio de uvas da qualidade niágra, uma variedade de mesa que geralmente é consumida in natura. Durante todo o período em que trabalhou com o cultivo dos frutos, Antônio vendia-os somente para o CEASA e para outros consumidores que ficavam sabendo da fama da doçura de seus produtos.

Em 2014, Antônio passou a contar com seu filho na produção das frutas. Alexandre Camargo trabalhava como engenheiro em uma empresa multinacional e resolveu deixar o cargo para ajudar o pai nas plantações. A visão de mercado de Alexandre atribuiu novas perspectivas ao negócio, e juntos eles começaram a expor o produto em grandes feiras. O sucesso da uva foi tanto que, rapidamente, ela começou a ser vendida em outras regiões de Minas Gerais. “O pessoal falava comigo: uva agora é só a de Minas”, conta Alexandre.

Após diversos estudos e pesquisas, Alexandre viu potencial nas uvas para transformá-las em vinho para comercialização local, e começou a fazer experimentos com elas. O resultado foi positivo e, em 2018, surgiu a Quinta dos Camargo, uma vinícola dedicada à produção e comercialização de vinhos. Eles produziram três qualidades da bebida: Branco suave, branco seco e rosado licoroso doce.

Hoje, mais de um ano após a inauguração, o vinho já fermentado começa a chegar aos supermercados, e a crítica ao produto tem sido bastante positiva. Chefs renomados e empresários do ramo varejista elogiaram a qualidade do produto, e as próximas metas já começam a ser traçadas.

Em julho de 2018, uma lei que obrigava a produção de espumantes ser feita com uvas finas foi alterada e esta mudança abriu espaço para a produção da bebida com uvas niágra. Este ano, a Quinta dos Camargo começou a produzir espumantes em larga escala e prevê o lançamento do produto para o final do mês de novembro.

A alta procura pelas uvas da fazenda de Antônio e Alexandre acabou superlotando as vendas. Para continuar ampliando os negócios, eles agora começaram a vender os ramos de parreiras, uma medida que pode contribuir para o desenvolvimento econômico de Fortaleza de Minas e dos municípios próximos em longo prazo.

Augusto Albertini
Jornalista e colaborador do Territórios Gastronômicos

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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