Compaixão e meio-ambiente: Campanhas querem mudar a forma de consumir carne

Mudanças no cardápio da Universidade de Coimbra reascenderam o debate em torno do consumo de carne vermelha.

Vegetarianismo e veganismo não são nenhuma novidade, as dietas livres de carne e proteína animal estão ganhando um espaço cada vez maior, o que vem aumentando a discussão em torno do assunto. A princípio, esses costumes estavam atrelados somente à compaixão por outros seres vivos, mas agora, outras demandas começam a fazer parte do debate.

Muitos estudos científicos relacionam o consumo de carne vermelha com uma série de impactos ambientais. De acordo com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), para cada quilo de carne de boi são necessários 17.100 lítros de água. Além disto, segundo um levantamento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o setor agropecuário é o que mais gera gases do efeito estufa entre as cadeias produtivas de alimentos, além de responder por 14,5% de todas as emissões.

(Fonte: Sabesp) (Infográfico: Planeta sustentável)

Carne gera polêmica em Portugal

O Brasil não é o único país onde há esta discussão, na última semana, a Universidade de Coimbra, em Portugal, foi destaque nos noticiários após tomar a decisão de que não utilizará mais a carne vermelha como opção em seus refeitórios. Em um comunicado à imprensa, o reitor Amílcar Falcão anunciou que a substituição será feita por outros alimentos ricos em proteína, como forma de diminuir a emissão de CO2. “Vivemos um tempo de emergência climática e temos de colocar travão nesta catástrofe ambiental anunciada”, sublinhou.

A decisão, no entanto, não agradou a todos. Alguns estudantes convocaram um churrasco no campus da Universidade de Coimbra como forma de protesto através de uma página em uma rede social. O ministro da agricultura de Portugal, Luis Capoulas Santos, também criticou a atitude do reitor, dizendo que a academia cedeu ao “populismo e à demagogia”.

Segunda Sem Carne

No Brasil, a carne ocupa um espaço de destaque na nossa gastronomia, ela é a principal atração de diversos pratos. Comidas como a feijoada, moqueca, carne de sol, churrasco, acarajé, etc. são, sem sombra de dúvidas, parte da identidade da nossa cozinha.

A fim de promover uma conscientização sobre a alimentação, em 2003 foi criado nos EUA o movimento Segunda Sem Carne. Hoje esta mobilização está presente em mais de 40 países, inclusive no Brasil.

Por aqui o movimento foi introduzido por meio da Sociedade Vegetariana Brasileira, visando reduzir a demanda por proteína animal. O movimento foi abraçado por muitos veganos e vegetarianos, que aproveitam a oportunidade para mostrar que é possível montar um cardápio balanceado e saboroso sem carne. A campanha também foi aderida por pessoas que não são seguem este estilo de vida, mas que estão empenhadas em buscar uma maneira mais consciente de consumir os alimentos.

Atualmente, a Segunda Sem Carne do Brasil é a que tem a gerado maior impacto no mundo segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira. Ações em escolas públicas e restaurantes populares poupam por ano cerca de 2 mil toneladas de carne somente no estado de São Paulo.

A intenção não é reformar nossas tradições na cozinha, mas enriquecê-la com novas receitas e combinações. Algumas são extremamente fáceis de serem feitas, e com um bom custo-benefício. Confira algumas receitas:

(Foto de capa: Pixabay)

Augusto Albertini
Jornalista e Colaborador do Territórios Gastronômicos

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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